Estados Unidos considera PCC E CV organizações terroristas

O governo dos Estados Unidos (EUA) anunciou nesta quinta-feira (28), em comunicado do Departamento de Estado, que vai designar as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês).



Segundo o comunicado, a decisão terá validade a partir do dia 5 de junho e as medidas são adotadas com base na seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade (Immigration and Nationality Act) e em uma ordem executiva do presidente Donald Trump.


O governo brasileiro vinha tentando, nos últimos meses, evitar essa designação por avaliar que isso poderia abrir caminho para uma ação militar dos EUA no Brasil ou aplicação de sanções severas em setores econômicos e financeiros.


Na avaliação de especialistas, esta designação representa um potencial risco à soberania brasileira e pode prejudicar até mesmo esforços de cooperação investigativa entre os países, já que alteraria o nível de sigilo das informações compartilhadas entre os órgãos de segurança dos dois países, centralizando-as na CIA [Central de Inteligência dos EUA] ou em órgãos militares


Neste novo mandato, o governo de Donald Trump vem reorientando a política externa de Washington em relação à América Latina, direcionando sua máquina de guerra para a região sob a justificativa de combater o que chama de “narcoterrorismo”.


68 milhões de brasileiros dizem conviver com o crime organizado perto de casa


 Uma pesquisa Datafolha mediu a preocupação do brasileiro com a violência. Quase 70 milhões de pessoas disseram ver a ação do crime organizado perto de casa, no bairro onde moram.

O motorista de carro por aplicativo Denis Moura mapeia as ruas onde pode e não pode trabalhar no Rio de Janeiro:


Denis faz parte dos 68 milhões de brasileiros que disseram conviver com o crime organizado perto de casa. A pesquisa do Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostrou que a situação é vivida principalmente nas capitais e regiões metropolitanas. Para um terço, criminosos “influenciam muito” as decisões e regras de convivência no bairro.

Em Jacarepaguá vivem cerca de 650 mil pessoas. O bairro fica entre o Parque Nacional da Tijuca e a praia da Barra, na Zona Sudoeste do Rio. A região tem comunidades disputadas pela milícia e pelo tráfico. Uma guerra armada por controle territorial.

O estudo traz os principais receios de quem vive sob o domínio das facções:

  • ficar no meio de um confronto armado;
  • ter familiar envolvido com o tráfico;
  • sofrer represálias e punições por denunciar crimes.

A pesquisa também retrata o medo da população e as restrições no direito de ir e vir. Quase 75% dos brasileiros evitam frequentar certos lugares e muitos deixam de circular em horários considerados perigosos. O crime limita o direito de escolha dos moradores, que são obrigados a contratar serviços indicados pelos criminosos e a comprar marcas e produtos determinados pelos bandidos.

Em outra região do Rio de Janeiro, no Complexo do Alemão, na Zona Norte, integrantes do Comando Vermelho monitoram em tempo real o que acontece nas ruas de Cabedelo, na Paraíba. Como o Fantástico mostrou no domingo (10), traficantes instalaram câmeras de vigilância pelas ruas e, a partir do Rio, controlam o crime e a rotina dos moradores.


Com a expansão do Comando Vermelho e PCC, esse modelo mais profissional de crime está se difundindo pelas cidades do interior, para regiões afastadas dos grandes centros urbanos. E essa difusão levou um tipo de criminalidade que usa armamento longo, que tem achacado a população, que tem regras de convivência, e é isso que essa pesquisa mostra”, diz Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

“Nós precisamos recuperar territórios, garantir que o poder público regule as atividades. E falar de território não é só comunidades, favelas e outras regiões. É falar de cidadania, é falar de garantir o ir e vir, ter tranquilidade e, de certa forma, você também pensar a política de segurança pública de forma articulada”, afirma Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.


Comando vermelho cobra taxas a comerciantes em Cariré Ceará



opovocbn

A facção Comando Vermelho (CV) teria proibido comerciantes de água mineral de trabalhar no município de Cariré, no Norte do Estado, após eles se negarem a pagar "taxas" exigidas pelo grupo criminoso. O caso está sendo investigado pelo Ministério Público (MPCE) e pela Polícia Civil do Ceará (PC-CE).

As extorsões registradas em Cariré são uma extensão de uma atuação similar registrada no município vizinho, Sobral. Como O POVO mostrou em fevereiro, pelo menos, sete suspeitos de integrar o CV foram presos acusados de cobrar taxas dos comerciantes.

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que a Polícia Civil investiga crimes de extorsão de uma organização criminosa ocorridos. O caso é acompanhado pela 1ª Delegacia de Polícia Civil de Sobral, com o apoio da Draco Norte.

A Promotoria de Justiça de Cariré informou que o caso foi encaminhado ao Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas da Região Norte (Gaeco Norte), do MPCE, para a adoção das medidas cabíveis.