Uma pesquisa Datafolha mediu a preocupação do brasileiro com a violência. Quase 70 milhões de pessoas disseram ver a ação do crime organizado perto de casa, no bairro onde moram.
O motorista de carro por aplicativo Denis Moura mapeia as ruas onde pode e não pode trabalhar no Rio de Janeiro:
Denis faz parte dos 68 milhões de brasileiros que disseram conviver com o crime organizado perto de casa. A pesquisa do Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostrou que a situação é vivida principalmente nas capitais e regiões metropolitanas. Para um terço, criminosos “influenciam muito” as decisões e regras de convivência no bairro.
Em Jacarepaguá vivem cerca de 650 mil pessoas. O bairro fica entre o Parque Nacional da Tijuca e a praia da Barra, na Zona Sudoeste do Rio. A região tem comunidades disputadas pela milícia e pelo tráfico. Uma guerra armada por controle territorial.
O estudo traz os principais receios de quem vive sob o domínio das facções:
- ficar no meio de um confronto armado;
- ter familiar envolvido com o tráfico;
- sofrer represálias e punições por denunciar crimes.
A pesquisa também retrata o medo da população e as restrições no direito de ir e vir. Quase 75% dos brasileiros evitam frequentar certos lugares e muitos deixam de circular em horários considerados perigosos. O crime limita o direito de escolha dos moradores, que são obrigados a contratar serviços indicados pelos criminosos e a comprar marcas e produtos determinados pelos bandidos.
Em outra região do Rio de Janeiro, no Complexo do Alemão, na Zona Norte, integrantes do Comando Vermelho monitoram em tempo real o que acontece nas ruas de Cabedelo, na Paraíba. Como o Fantástico mostrou no domingo (10), traficantes instalaram câmeras de vigilância pelas ruas e, a partir do Rio, controlam o crime e a rotina dos moradores.
Com a expansão do Comando Vermelho e PCC, esse modelo mais profissional de crime está se difundindo pelas cidades do interior, para regiões afastadas dos grandes centros urbanos. E essa difusão levou um tipo de criminalidade que usa armamento longo, que tem achacado a população, que tem regras de convivência, e é isso que essa pesquisa mostra”, diz Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
“Nós precisamos recuperar territórios, garantir que o poder público regule as atividades. E falar de território não é só comunidades, favelas e outras regiões. É falar de cidadania, é falar de garantir o ir e vir, ter tranquilidade e, de certa forma, você também pensar a política de segurança pública de forma articulada”, afirma Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.










