Homicídio, fraude processual e destruição de cadáver: MP denuncia casal por morte de PM carbonizado


 Polícia acredita que casal premeditou o assassinato do soldado Raphael Sampaio. Ele mantinha um relacionamento extraconjugal com Júlia, PM que está presa pelo crime.


O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) denunciou à Justiça nesta sexta-feira (28) a policial militar Júlia Natália Girão Gomes e o marido dela, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, pela morte do soldado da Polícia Militar Raphael Sampaio da Silva. O casal já havia sido indiciado pela Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) por homicídio qualificado no caso, que ganhou repercussão após o policial ser encontrado morto e ter o corpo carbonizado na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

Além de homicídio qualificado, o MP do Ceará adicionou na denúncia os crimes de destruição de cadáver e fraude processual, que não constavam no indiciamento da PCCE. 

A denúncia foi enviada ao Poder Judiciário após análise do inquérito policial encaminhado pela Delegacia de Homicídios contra Agentes de Segurança Pública. 

Com o recebimento da denúncia, caberá agora à Justiça decidir se transforma os dois denunciados em réus e dá início à fase de instrução processual. Em nota, o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) afirmou que a denúncia "será analisada pelo Poder Judiciário".

ATUALIZAÇÃO às 15h39]

O MP sustenta "que o homicídio foi cometido por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, qualificadoras previstas no artigo 121 do Código Penal. Segundo a denúncia, o crime foi premeditado e executado com divisão de tarefas entre os dois envolvidos. As investigações apontam ainda que os acusados teriam simulado o sequestro da policial militar para criar uma versão falsa dos fatos e afastar suspeitas. Registros de câmeras de vídeo monitoramento, laudos periciais e outros elementos colhidos durante a apuração revelam inconsistências na narrativa apresentada pelo casal. Para o MP, a suposta encenação tinha o objetivo de ocultar a autoria do homicídio e dificultar as investigações".

Crime premeditado 

Segundo as investigações, o crime pode ter sido premeditado pelo casal. Conforme a apuração policial, Júlia teria pago R$ 50 a um colega de Corporação para trocar de plantão e trabalhar na data do crime. Após o expediente, ela pediu carona ao soldado Raphael Sampaio. Os dois seguiram até uma rua no bairro Jangurussu, em Fortaleza, onde a policial morava com o marido.

A investigação aponta que os disparos que mataram o PM ocorreram a cerca de 30 metros da residência do casal. Imagens e outros elementos reunidos durante o inquérito indicam que um segundo veículo se aproximou do carro da vítima momentos antes dos tiros. A Polícia Civil sustenta que esse automóvel pertencia a Antoneudo Ribeiro Lima Júnior.

Ainda de acordo com os investigadores, após o homicídio, o corpo de Raphael foi levado para Itaitinga, onde o veículo dele foi incendiado. Laudos periciais também apontaram que Antoneudo apresentava lesão compatível com queimadura de segundo grau, fato considerado relevante para o andamento das apurações.

Soldado teve liberdade negada

A Justiça do Ceará negou na última terça-feira (25) o pedido de habeas corpus em favor da soldado Júlia Natália, e ela permaneceu presa. A defesa da policial também havia representado pela substituição da prisão preventiva por domiciliar, mas a possibilidade também foi negada pela desembargadora Andréa Mendes Bezerra Delfino, relatora do caso e integrante da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE). 

A liminar foi negada, mas o mérito do habeas corpus ainda será julgado pelo Colegiado da Câmara. Segundo a decisão, o inquérito da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) trouxe mais elementos contra Júlia, como a insistência da troca do plantão por R$ 50, e os indícios de mentiras em interrogatório, além da gravidade do crime. 

"Considerando que a paciente é investigada pelo crime de homicídio (...) não há manifesta ilegalidade pela não substituição da prisão preventiva por domiciliar", destacou trecho do documento judicial ao qual o Diário do Nordeste obteve acesso. 

Os depoimentos colhidos durante a investigação indicam que Raphael e Júlia mantinham um relacionamento extraconjugal. A Polícia Civil apontou indícios de que o crime teria sido motivado por ciúme, possessividade e sentimento de retaliação.


Fonte: Diario do nordeste

Justiça nega liberdade a policial presa por morte de PM carbonizado no Ceará


A Justiça do Ceará negou nesta terça-feira (25) o pedido de habeas corpus em favor da soldado Júlia Natália Girão Gomes, indiciada por participação na morte do PM Raphael Sampaio da Silva, e ela deve permanecer presa. A defesa da policial também havia representado pela substituição da prisão preventiva por domiciliar, mas a possibilidade também foi negada pela desembargadora Andréa Mendes Bezerra Delfino, relatora do caso e integrante da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE). 

A liminar foi negada, mas o mérito do habeas corpus ainda será julgado pelo Colegiado da Câmara. Segundo a decisão, o inquérito da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) trouxe mais elementos contra Júlia, como a insistência da troca do plantão por R$ 50, e os indícios de mentiras em interrogatório, além da gravidade do crime

"Considerando que a paciente é investigada pelo crime de homicídio (...) não há manifesta ilegalidade pela não substituição da prisão preventiva por domiciliar", destacou trecho do documento judicial ao qual o Diário do Nordeste obteve acesso.  

Um dos argumentos da defesa para o habeas corpus é que Júlia é mãe de uma criança de quatro anos, mas a desembargadora responsável pela análise do caso pontuou que o Código de Processo Penal não considera esse fator quando o crime pelo qual a pessoa é acusada envolve violência ou grave ameaça. 

O fato de Júlia ser policial militar também influenciou na decisão, pois ela era para exercer uma função de preservação da ordem pública: "O modus operandi mostra-se ainda mais reprovável em razão da condição pessoal da própria autuada, que ostenta a condição de policial militar". 

Nesse contexto, os elementos probatórios reunidos até o momento apontam para um modus operandi dotado de acentuada gravidade concreta, que não se limitou à subtração da vida da vítima, mas envolveu, segundo os indícios colhidos, a destruição do cadáver e a aparente criação de circunstâncias artificiais destinadas a afastar suspeitas sobre os envolvidos, inclusive a simulação de restrição da liberdade da própria paciente.
TJCE

Troca de plantão no dia da morte 

Júlia pagou R$ 50 a um colega para trocar o plantão e estar presente com o PM na noite em que ele foi vítima do crime. A investigação ainda descobriu que os disparos contra o soldado Raphael ocorreram a cerca de 30 metros da residência de Júlia e do marido dela, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, também indiciado pela Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE). 

A testemunha que vendeu a vaga no plantão teria informado que Júlia não tinha o hábito de pagar por permutas, mas insistiu incisivamente para trabalhar naquela data, em 11 de agosto. Horas após o fim do serviço, Raphael foi atraído para a morte. A Polícia acredita que o casal premeditou a morte. 

Os disparos contra o PM teriam ocorrido por volta das 03h06 da madrugada de 11 de agosto. Ele estava em seu carro com Júlia, que teria pedido uma carona após o expediente. Na região da Grande Messejana, um veículo de Antoneudo aproximou-se e interceptou o policial.

Marido de policial monitorou soldado que foi encontrado carbonizado meses antes do crime, aponta investigação



Antoneudo Ribeiro Lima, marido da policial militar Júlia Natália Girão, monitorou o soldado Raphael Sampaio de Silva, de 27 anos, meses antes do agente ser morto e carbonizado, segundo a investigação da Polícia Civil.

O casal foi preso e indiciado na última sexta-feira (21), por homicídio qualificado. O carro com o corpo da vítima foi localizado no dia 11 de agosto em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza. A Perícia Forense apontou que a vítima levou três tiros na cabeça e, depois de morto, foi incendiado.

Conforme a investigação, o crime teria motivação passional, visto que Raphael e Júlia, ambos casados, tinham uma relação extraconjugal. O caso era de conhecimento de Antoneudo, que chegou a ficar um período separado da esposa, mas depois retomou o casamento.

Segundo o depoimento de um parente de Raphael, o soldado revelou para o familiar que em março deste ano conheceu Júlia Natália e passou a manter uma relação com ela. Na época, Raphael mencionou que Júlia estava separada do marido, mas continuava morando na casa da sogra.

Os encontros dos dois ocorriam após o serviço, quando os agentes diziam para seus respectivos cônjuges que iriam demorar para chegar em casa por conta de ocorrências policiais ou dentro do 16º Batalhão, onde eles trabalhavam.

 Em outro momento, Raphael revelou para a mesma pessoa que Júlia terminou com ele para reatar com o marido. Nesse período de reconciliação, Antoneudo teria visto as conversas que Júlia trocava com Raphael e ela mostrou uma foto do "amante" para o companheiro.

Ainda de acordo com a testemunha, Raphael mencionou que quando Antoneudo ia encontrar Júlia no serviço para deixar alguma comida, o "olhava com cara de raiva" e o encarava.

Além disso, em maio deste ano, Antoneudo apareceu de surpresa quando Raphael e Júlia estavam trabalhando no policiamento a pé na Praça Paulo Benevides, em Messejana. Neste dia, o soldado mencionou para o parente que Júlia mostrou para ele que Antoneudo estava monitorando os dois de longe.

Vítima pretendia assumir relação com a suspeita

Um dia antes de ser morto, Raphael Sampaio revelou para um amigo da polícia que ele havia conversado com Júlia e os dois haviam decidido se separar de seus companheiros para assumir o relacionamento.

O envolvimento entre os dois agentes também foi confirmado por outras testemunhas. Eles relataram que no período no qual Júlia ficou separada do marido chegou a ir deixar comida para Raphael enquanto ela estava de folga e ele estava no serviço.

Investigações da polícia apontaram que Raphael foi morto na frente da residência de Júlia, na Rua Florêncio Fontenele, no bairro Jangurussu, por volta das 3 horas do dia 11 de agosto.


Fonte: G1 Ce 


Assassinato de policial militar encontrado carbonizado teve motivação passional, aponta investigação

 


A policial militar (PM) Júlia Natália Girão Gomes e o marido Antoneudo Ribeiro Lima Júnior foram indiciados pela Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) pela morte do soldado da PM, Raphael Sampaio da Silva, assassinado a tiros e carbonizado. Contra o casal, que está preso desde o dia 11 de agosto, horas após o fato, os investigadores disseram haver indícios suficientes de que eles premeditaram o crime. 

Júlia e Antoneudo responderão por homicídio qualificado, que teria sido praticado por motivo fútil, visto que entre Júlia e o soldado morto havia um relacionamento extraconjugal.

Há ainda indícios de retaliação, ciúme e possessividade envolvidos, conforme a investigação, conduzida pela Delegacia de Homicídios contra Agentes de Segurança Pública do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP).


 Testemunhas disseram em depoimento que Antoneudo sabia que a esposa tinha um caso com o colega de farda, de batalhão e viatura. 

Após o indiciamento, que foi feito na última sexta-feira (21), o caso foi enviado novamente à Justiça e ao Ministério Público do Ceará (MPCE), que devem se posicionar. 

O Diário do Nordeste solicitou nota atualizada sobre o caso à PCCE, mas não recebeu retorno até a publicação desta matéria. 

Marido de PM teria disparado contra soldado 

A reportagem apurou que há indícios de que Antoneudo Ribeiro foi o executor dos disparos que mataram Raphael. Foi confirmado também, segundo laudos periciais, que ele teve um ferimento compatível com queimadura de segundo grau, indicando que ele queimou o automóvel do PM com o militar dentro, segundo antecipado pelo Diário do Nordeste em matéria publicada no último sábado (22). 

A participação de Júlia não é diminuída, e a investigação destaca as incompatibilidades entre os depoimentos dela e os fatos. Ela foi acusada de tentar ocultar sua participação no crime e se fingir de vítima. Inicialmente, ela apresentou uma versão de que foi mantida em cativeiro e deixada amarrada na BR. 

Os indiciados foram enquadrados em três qualificadoras de homicídio: 

            • Por motivo torpe;
            • De forma a impedir ou dificultar a defesa da vítima;
            • Com participação de mais de uma pessoa.​‌

O advogado de Júlia, Walmir Medeiros, informou que pediu à Justiça a soltura da soldado, e disse que só vai se posicionar sobre o indiciamento após a manifestação dos outros órgãos. Já a advogada de Antoneudo não respondeu à reportagem. 

Defensoria presta assistência à família do PM 

A família do soldado da Polícia Militar do Ceará (PMCE) Raphael Sampaio da Silva, morto a tiros e encontrado carbonizado na Grande Fortaleza na madrugada de 11 de agosto, é assistida pela Defensoria Pública do Estado do Ceará. O órgão oferecerá assistência jurídica e acompanhamento psicossocial, por meio da Rede Acolhe.

Segundo a Defensoria, a equipe "já acompanha a família e presta as orientações e os encaminhamentos necessários".

A atuação integra uma política de proteção de direitos da Defensoria, voltada aos familiares das vítimas, que sofrem com as consequências da violência, que vão além do processo criminal. Por meio de equipe intersetorial, a Rede Acolhe trabalha para reduzir situações de revitimização e garantir que familiares tenham acesso à assistência jurídica e psicossocial durante o período posterior à violência
Muniz Freire
Defensor titular da Rede Acolhe

Ainda conforme a Defensoria Pública estadual, "o atendimento assegura que a família também seja reconhecida como sujeito de direitos e tenha acompanhamento diante dos impactos provocados pelo crime". 


Fonte Diário do Nordeste