24 horas para sair': facções estampam ameaças com ordens para fechar empresas e expulsar moradores


 

Nas últimas semanas, em três cidades do Ceará, criminosos estamparam nos muros de comércios e residências uma ordem: "24 horas para sair". Por trás dos casos estão líderes de grupos armados que contam com o mesmo objetivo: a hegemonia do território.

As facções buscam amedrontar, 'ganhar no grito' e 'mostrar quem manda na região', enquanto a Segurança Pública tem identificado e prendido os responsáveis pelos ataques.

Os casos mais recentes foram registrados nos últimos dias no bairro Cajazeiras, em Fortaleza, e na cidade de Groaíras, Interior Norte do Estado. Na Capital, dias após a pichação vista no muro de uma residência de onde as moradoras foram expulsas, a mulher investigada por ordenar o crime foi presa.

Já em Groaíras, mais uma cidade com provedores de internet alvos do Comando Vermelho (CV), as circunstâncias de uma ocorrência de ameaça no contexto de organização criminosa registrada na madrugada dessa sexta-feira (23) estão sob investigação da Polícia Civil do Ceará, segundo a própria Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).


De acordo com documentos obtidos pela reportagem do Diário do Nordeste, 'Bibi' deu ordem para duas vítimas alugarem a parte superior do imóvel delas à pessoas ligadas a chefe local da facção.

As vítimas teriam se recusado e dito que "da última vez que alugaram houve conflito entre facções criminosas no imóvel, inclusive com disparos de arma de fogo entre terceiros que residiam no imóvel".

Há informações indicando que as vítimas ficaram apavoradas quando ouviram disparos de arma de fogo em direção à casa e viram que o muro foi pichado com dizeres: 'tem 24h pra sair' (sic).

A investigação apontou que a expulsão foi ordenada por Carla, mas a suspeita negou. Ela passou por audiência de custódia e teve a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva.

 

ATAQUES A PROVEDORES

Na cidade de Groaíras, a mesma ordem de '24 horas para sair' foi proferida no muro de um provedor de internet. O 'modus operandi' dos criminosos de dar 'um aviso' antes da pichação se repetiu.

Conforme informações obtidas pelo Diário do Nordeste, horas antes do ataque ao estabelecimento, uma funcionária do provedor foi abordada pelos criminosos. Eles teriam ordenado que a mulher repassasse o contato do dono da empresa, com quem desejavam falar. Quando supostamente não houve 'negociação', o ataque aconteceu.

Segundo a SSPDS, a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas Norte (Draco Norte) e a 1ª Delegacia de Polícia Civil de Sobral "estão à frente do caso e contam com o apoio de setores de inteligência das Forças de Segurança. A Polícia Militar do Ceará (PMCE) foi acionada, apagou as pichações no local e reforçou o policiamento ostensivo na região. Os trabalhos investigativos seguem em andamento".

A Pasta destaca que a população pode contribuir com as investigações repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais: "o sigilo e o anonimato são garantidos".

 

Também permanece em andamento a investigação para desvendar quem está por trás dos ataques aos provedores na cidade de Alcântaras, outra cidade do norte cearense que registrou ameaças.

Lá, pichações com mensagens de ameaças "deram" 24h para o fechamento do empreendimento, ou a facção criminosa iria "queimar tudo". O policiamento ostensivo na região foi reforçado, segundo a SSPDS.

A Secretaria destaca que desde julho de 2025, as Forças de Segurança prenderam 100 suspeitos de ataques a provedores, entre flagrante e mandados de prisão.

FONTE: DIÁRIO DO NORDESTE 

 

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