Sindicato dos policiais civis faz ato na Delegacia da Mulher, em Fortaleza

Delegacia é a terceira a receber ato de policiais civis.
Sindicato protesta contra a falta de pessoal, estrutura inadequada

 

Policiais civis fazem ato em frente à delegacia da Mulher na manhã deste sábado (29), na Rua Manuelito Moreira, no Bairro Benfica. Segundo o Sindicato dos Policiais Civis de Carreira do Estado do Ceará (Sinpol-CE), o atendimento na unidade será mantido.
A delegacia foi escolhida após divulgação de levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão do governo, mostrando que 58,5% dos entrevistados acham que o comportamento feminino influencia no estupro. “O Sinpol-CE é contra este tipo de opinião, onde a sociedade transforma a vítima em culpada”, afirma o presidente do Sindicato, Gustavo Simplício. Segundo dados do sindicato, em 2013, foram registrados 1.832 casos de estupros no Ceará. A operação denominada Heredia faz referência ao sobrenome do colombiano Marco Antônio Heredia que em 1983 tentou matar a esposa, Maria da Penha, com um tiro enquanto ela dormia.


O sindicato protesta contra a falta de pessoal, estrutura inadequada e pelo fato de que a unidade é a única de atendimento especializado à mulher na capital. "A delegacia não funciona nos feriados e, nos fins de semana, atende com policiais que fazem serviço extraordinário, recebendo R$ 6,7 por hora e atrasados, a cada três meses'', diz o presidente do Sinpol-CE.
O protesto faz parte do movimento Polícia Legal e, segundo sindicato, pretende alertar a sociedade para os problemas enfrentados pela Polícia civil. As ações foram definidas pela categoria em assembleia no dia 17 de março. A delegacia da Mulher é a terceira a receber o ato. A primeira, no dia 20 de março, foi na delegacia de Capturas, no Centro. A operação denominada Barriga de Aluguel fez referência aos presos que são mantidos em delegacias. A segunda ação, chamada Elefante Branco, foi realizada no dia 23 de março, na Divisão de Homicídios, no bairro de Fátima, como forma de alertar para o problema da falta de investigação.

FONTE: G1 CE

 

Quem ganha com a disseminação do medo?

É inegável que os índices de violência no Ceará, mais particularmente na Região Metropolitana de Fortaleza, têm crescido assustadoramente e aumentado a sensação de insegurança na população. Também é fato que o Governo do Estado, apesar de ter investido mais do que qualquer outra gestão anteriormente na área da segurança pública, bem como efetuado concursos para profissionais do setor, encontra-se nas cordas em relação a apresentar solução para minimizar o problema, sem contar que falta menos de um ano para o término da administração Cid Gomes.

De todo modo, tem sido intrigante verificar por parte de alguns setores formadores de opinião, mais do que a justificada sensação de medo, certo ar velado de comemoração no que diz respeito ao aumento desses índices. Na última segunda-feira, ouvi várias pessoas decepcionadas porque o Fantástico, da Rede Globo, teria sido morno ao destacar o problema da violência no Ceará. É bom lembrar que na semana anterior foi intensa a divulgação de que o Estado seria destaque negativo em rede nacional.

Chama a atenção, ainda, a forma como lideranças da própria polícia fazem questão de alardear a incapacidade de combater os índices de criminalidade. Nunca tinha visto uma categoria fazer tanta questão de se mostrar inoperante. Ora, quando a própria polícia admite que o ladrão ser pego no Ceará é muito azar do meliante, é quase como dizer que a população não pode mais contar com esse serviço. Vamos então agir com as próprias mãos, é esse o recado? Fico a me questionar a quem interessaria isso? Pelo que sei, nunca as empresas de segurança privada ganharam tanto como agora. Será que outros segmentos também não estariam ganhando com essa disseminação do medo?

Em conversa recente com um policial, este me disse que muitas das mortes registradas em Fortaleza têm como vítimas pessoas com antecedentes criminais. Será que já não estaria havendo uma “limpeza” não oficializada dos criminosos? Tai um bom mote para a nossa academia, tão operosa em opinar nas páginas de jornais sobre o tema, estudar a fundo. O problema da violência está diretamente ligado a sensação de medo que se dissemina a partir de seus índices. E esse é um fenômeno que está sendo deixado de lado nas análises.

QUATRO POLICIAIS DO RONDA DE CAMOCIM SÃO APROVADOS NO CONCURSO DE OFICIAL DA PM




FONTE: CAMOCIM POLICIA 24 HAS


Fomos informados no início da tarde desta sexta-feira (28) que quatro policias militares, soldados do Ronda do Quarteirão, Camocinenses e que trabalham na cidade, foram aprovados no concurso público realizado a fim de prover 200 vagas para ingresso no curso de formação de Oficiais da PM-CE. As provas foram aplicadas no último dia 23 de Março. O cargo de Primeiro-Tenente do Quadro de Oficiais Policiais Militares da PM-CE exige nível superior em qualquer área de formação e oferece remuneração de R$ 4.121,78 mensais após o curso de formação. Agora, já na Academia de Polícia, os quatro aprovados irão enfrentar as demais etapas do certame.

Nossos parabéns aos soldados Luiz Lima de Oliveira Júnior, Hildo Paulo dos Santos Filho, Roberto Fernandes e Francisco Jonas dos Santos. Vale ressaltar que essa conquista, até onde podemos verificar, ocorre pela primeira vez em Camocim.


Do blog: Conheço os quatros policiais, todos dedicados, estudiosos e o mais importante, íntegros. Deixamos aqui nossos votos que todos se saiam bem nas fases posteriores.

Bando assalta agência dos Correios de Quiterianópolis

Cerca de 8 homens armados assaltaram na manhã desta sexta-feira (28) a agência dos Correios do município de Quiterianópolis, a 415 quilômetros de Fortaleza. O bando chegou à agência em um veículo Fiat Siena prata, rendeu o vigilante da agência e no momento do assalto, os populares que estavam no local tiveram que ficar deitados no chão para dificultar a identificação dos assaltantes.
Na ação, o grupo não conseguiu abrir os cofres e levou apenas o dinheiro que estava nos caixas. Na fuga, um carteiro foi feito refém, mas liberado logo em seguida. Apesar da ousadia dos bandidos, ninguém ficou ferido.
Policiais dos municípios de Quiterianópolis e Tauá foram acionados para fazer diligências. Até o momento ninguém foi preso. A quantia levada não foi revelada.

Comissão da OAB pede que Governo do Ceará solicite Força Nacional

 
FOTO GOOGLE IMAGENS

A comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Ceará (OAB), em reunião na noite da quinta-feira, 27, sobre a violência no Estado, decidiu realizar duas ações para combater os altos índices. Uma delas inclui a convocação da Força Nacional de Segurança Pública.

De acordo com o presidente da comissão, Edimir Martins, no sábado, 29, às 8 horas, será realizado um ato público, na Praça do Ferreira, Centro de Fortaleza, onde será realizada uma manifestação contra a violência e pelas vítimas dela. 

Força Nacional
No mesmo ato, serão coletadas assinaturas para que, através de um abaixo-assassinado, possam pedir ao governador Cid Gomes que solicite ao Governo Federal o apoio da Força Nacional de Segurança para auxiliar no combate à violência no Estado. Segundo Edimir, a ação visa suprir a carência de policiais nas ruas enquanto o governador lança concurso público e forma novos profissionais.

“A comissão entendeu que a saída emergencial é convocar a Força Nacional”, frisou o presidente. Além do governador, o pedido deve ser enviado à presidente Dilma Rousseff e ao Congresso Nacional.

Conselheiro tutelar é morto a facadas na Vila Manoel Sátiro, em Fortaleza




Dois homens são suspeitos de praticar o crime. Ninguém foi preso.


Vítima estava dormindo na casa do sogro quando foi assassinado.




O conselheiro tutelar e estudante de direito Jéferson Machado, 34 anos, foi assassinado a facadas na madrugada desta sexta-feira (28), no Bairro Vila Manoel Sátiro, em Fortaleza. De acordo com policiais do 19º Distrito Policial que atenderam a ocorrência, o crime ocorreu por volta das 2h30, e o conselheiro tutelar morreu ainda no local do crime. Dois homens são suspeitos de praticar o assassinato. Ninguém foi preso.


Segundo o amigo da vítima André Bueno, Jéferson Machado estava na residência do sogro. André conta que ouviu um barulho durante madrugada e acordou assustado. Quando Jéferson Machado viu um dos suspeitos invadindo a casa, ele levou uma facada no abdômen.


"Eu fiquei sabendo pela polícia que ele tentou perseguir um dos ladrões. Quando ele entrou no quintal, um outro suspeito, veio por trás e o esfaqueou no abdômen. A faca atingiu vários órgãos e não deu tempo nem de levá-lo para o hospital", afirmou o amigo da vítima.


André Bueno se diz inconformado com a violência no bairro e organiza um protesto que deve ocorrer no fim de semana. "É um absurdo. Não podemos mais sair de casa porque a insegurança reina em nossa cidade. Onde está a Polícia Militar? Ninguém aguenta mais tanta morte. Tanta gente inocente de bem, pai de família morrendo em nossa cidade", desabafou.


O corpo de Jéferson Machado deu entrada no Instituto Médico Legal às 5h50 desta sexta-feira e tem previsão de saída por volta das 16 horas, conforme André Bueno.







Homem é preso suspeito de matar e queimar paranaense no Ceará








FOTO ARACATI EM FOCO

Jovem deixou a Paraíba para encontrar homem que conheceu na internet.

Corpo foi encontrado dentro de carro, carbonizado, em 5 de março.

A Polícia Civil do Ceará prendeu, na noite de quinta-feira (27), um homem suspeito de matar a química paranaense Ângela Maria Barba e queimar o corpo durante o feriado de Carnaval. Segundo informações da polícia, a vítima havia abandonado o emprego e a casa onde vivia em João Pessoa, na Paraíba, para vir ao Ceará encontrar um homem que conheceu pela internet.
O corpo carbonizado de Ângela Maria foi encontrado no dia 5 de março, dentro de um carro, na cidade litorânea de Aracati. De acordo com as investigações, o último contato da vítima com a família ocorreu no dia 24 de fevereiro e ela chegou a postar fotos em redes sociais com o suspeito.

Na manhã desta sexta-feira (28), a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que o suspeito foi detido e ouvido ainda na noite de quinta-feira, mas o depoimento deve ser retomado nesta sexta. Os demais detalhes sobre a investigação estão sendo mantidos em sigilo.

FONTE: G1 CE

Ex-soldado da PM é acusado de chefiar quadrilha que assassinava policiais em Fortaleza

A PF suspeita que 11 homicídios que ocorreram em Fortaleza nos últimos meses tenham ligação direta com a quadrilha


Um ex-soldado da Polícia Militar (PM) é acusado de chefiar uma quadrilha que assassinava policiais em Fortaleza. A Polícia Federal (PF) prendeu o PM na operação que foi deflagrada contra fraudes bancárias cometidas por duas organizações criminosas que causaram prejuízo de R$ 9 milhões à Caixa Econômica Federal (CEF). Em coletiva de imprensa, a PF informou que chegou  aos homicídios cometidos pelo PM após sua prisão, mas não detalhou sobre essa acusação.
A PF suspeita que 11 homicídios que ocorreram em Fortaleza nos últimos meses tenham ligação direta com a quadrilha. Segundo a PF, o bando cometia crimes de latrocínio (assalto seguido de morte) e roubo a mão armada. Ao todo, 10 pessoas foram presas na capital cearense.
A operação ocorreu no Ceará, em mais cinco estados (São Paulo, Piauí, Maranhão, Alagoas, Paraíba) e no Distrito Federal. Chamada de Cártula - referente a título de crédito ou cheque -, a operação apreendeu, entre outras coisas, cartões de crédito, talões de cheque, máquinas de cartão, carimbos e bananas de dinamite. 
A ação da PF tem como objetivo cumprir 52 mandados judiciais; 10 mandados de prisão preventiva; 11 mandados de busca e apreensão; e 31 mandados de condução coercitiva, além do sequestro de imóvel, veículos e contas bancárias.
Esta foi a primeira investigação da PF, que teve início em outubro do ano passado, com base em um sistema nacional de bancos de dados criado para cruzar informações bancárias. O novo método verificou a incidência de crimes de estelionato e lavagem de dinheiro na modalidade clonagem de cheques.
Segundo a PF, os grupos criminosos utilizavam documentos falsos para a abertura de contas bancárias na Caixa Econômica. Outro método de atuação era a cooptação de titulares de contas bancárias existentes para que permitissem o uso das mesmas no esquema ilegal.
“A fraude consistia na obtenção de folhas de cheques originais. Posteriormente, os criminosos inseriam dados falsos com alteração da numeração. Para a compensação dos cheques fraudados, eles faziam uso das contas abertas irregularmente ou através das contas bancárias dos terceiros cooptados, que as cediam mediante pagamento em dinheiro”, disse a PF em  nota.
Violência
De acordo com a PF, as investigações revelaram também que as quadrilhas agiam com violência e grave ameaça para manter o domínio e controle de suas atividades. Os líderes das duas organizações criminosas possuem vasta folha de antecedentes com a prática de crimes de homicídios, latrocínio e assalto a mão armada.
Cooperação da CEF
Ainda segundo a PF, a CEF ajudou a Polícia na colheita dos dados bancários e com a decretação judicial de afastamento do sigilo bancário, o que foi decisivo para identificar os grupos criminosos.
O POVO Online entrou em contato com assessoria da Caixa Econômica, que solicitou um email com perguntas para que em breve possa dar uma resposta sobre o caso.

FONTE: O POVO

8% dos inquéritos de homicídios em Fortaleza foram concluídos em 2013

Diretor da Divisão de Homicídios diz que faltam efetivo e estrutura.
Em 2013, foram registrados 2.017 assassinatos em Fortaleza.

Apenas 8% dos casos investigados na Divisão de Homicídios, da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), foram solucionados em 2013, de acordo com os delegados. “A verdade é que nós ainda não temos um efetivo ideal e condições ideais para que, efetivamente, as respostas sejam ofertadas no menor espaço de tempo”, reconhece o delegado Luiz Carlos Dantas, diretor da Divisão de Homicídios.
Em 2010, o Ceará ganhou uma delegacia especializada na investigação de homicídios. No prédio moderno, trabalham dez delegados, 71 inspetores e 18 escrivães. A equipe é responsável por investigar todos os assassinatos na capital cearense, que, no ano passado, somaram 2.017 casos. Em todo o Ceará, foram registrados 4.462 homicídios, em 2013, segundo a SSPDS.


Mas, além da falta de estrutura, a Polícia Civil enfrenta outro obstáculo, a lentidão do Poder Judiciário. Segundo a polícia, muitas vezes o acusado de assassinato é liberado rapidamente, em decorrência da demora no julgamento e acaba voltando às ruas para cometer os mesmos crimes.
Adriano Soares Meneses, de 30 anos, é suspeito de pelo menos 15 assassinatos, além de tráfico de drogas e roubo a bancos e foi preso nesta quarta-feira (26), por conta de mais uma morte. “Eles ficam presos por um período mais logo conseguem alguma medida, algum habeas corpus, que lhes permitem responder [ao processo] em liberdade”, diz o delegado Márcio Gutierrez.
G1 CE

Raio apreende três armas de fogo

  Uma operação de saturação, no bairro Bonsucesso, em Barreira, no Maciço de Baturité, resultou na prisão de dois adultos e apreensão de um adolescente de 16 anos. A saturação foi realizada por policiais militares, lotados no Batalhão de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (BPRaio). A equipe era composta pelo Cabo Sousa e os soldados Machado. C. Barbosa e Patrik.

DIARIO DO NORDESTE

Fortaleza: 39 mortes à bala no fim de semana mais violento do ano

De sexta-feira às 18 horas de ontem, em Fortaleza e Região Metropolitana, 67 corpos deram entrada na Perícia Forense, 39 dos quais mortos à bala. O índice supera até o fim de semana do Carnaval. A vida de Raphael Lopes foi uma das interrompidas
Foi no fim de semana mais violento do ano em Fortaleza e Região Metropolitana que Raphael Lopes, 27, não resistiu à bala algoz de sua vida. Na volta para casa após um luau em Aquiraz na madrugada de ontem, o carro onde o jovem estava com quatro amigos foi interceptado por bandidos no Conjunto São Miguel, território historicamente assolado pelo conflito de gangues.

Uma barricada de pedras era o prelúdio do assalto, não concretizado porque o motorista transpôs o obstáculo e acelerou em fuga. No revide dos bandidos, oito projéteis acertaram o veículo. Um deles passou de raspão em Raphael. Outro acertou-lhe o peito. Da 0 hora de sexta-feira, 21, às 18 horas de ontem, mais 38 pessoas haviam morrido pelo uso de armas de fogo na Capital e cidades adjacentes. Contabilizados outros tipos de óbito, o total vai a 67. E tende a aumentar, quado consideradas as ocorrências registradas nas seis horas restantes do dia.

O POVO chegou aos números acessando relatórios da Secretaria Estadual da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) publicados na Internet e ouvindo fontes da Perícia Forense do Ceará (Pefoce). Os 39 óbitos à bala fazem os últimos três dias mais violentos até do que o fim de semana do Carnaval, quando as mortes por arma de fogo foram 23 na Região. (ver gráfico abaixo)

Conforme O POVO mostrou em reportagem especial no último dia 17, armas de fogo foram os vetores de 83% das 772 mortes violentas do Ceará acontecidas entre janeiro e fevereiro deste ano. E as vítimas preferenciais tinham justamente o perfil de Raphael. Eram homens, jovens e moradores de periferia. “Ele era 100%! Com ele, não tinha tempo ruim. Quando a pessoa é direita, você nunca pensa que vai acontecer isso, né?”, lamentou o representante comercial Luís Sampaio, 38. A amizade entre ele e Raphael durou 12 anos.

A família era só silêncio no velório montado na sala da casa da avó, Elvira, lugar onde Raphael nasceu e se fez gente. A casa dista duas quadras de onde ele morava com os pais. E fica a 1,5 quilômetro do local onde o tiro atingiu-o sem chance de socorro no Frotinha de Messejana.

Vizinhos e amigos eram inconformismo. E a boa lembrança de um jovem que chegou a cursar o ensino superior, trabalhava num depósito de bebidas e tinha planos de mudar de emprego muito em breve. “Ele era um menino calmo. Não gostava de confusão. Era alegre e brincalhão. Uma pessoa como ele é difícil de encontrar hoje em dia. Ainda não estou acreditando”, declarou a serviços gerais e amiga da família Neide Pinheiro, 45.

Investigação
Até o fechamento da matéria, ninguém havia sido preso pela morte de Raphael. E a Polícia ainda não tinha pistas dos assassinos. O inquérito policial foi instaurado pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e as investigações serão retomadas hoje.

Raphael Lopes foi enterrado ainda ontem, no cemitério Memorial Fortaleza. O sepultamento ocorreu minutos após uma vizinha dele explicar ao filho pequeno, no colo, que o jovem fora “para a vida eterna.”

“Ele morreu?”, questionou o garoto. “Morreu. Foi gente ruim, sem coração, que fez isso”. “A senhora tem bom coração, mãe?”. “Acho que tenho. E você também. A gente tem que amar. Tem que amar, viu?”, arrematou. Porque tragédias nos permitem lições. (Colaborou Demitri Túlio)

DESIGUALDADES SOCIAIS AUMENTA VIOLÊNCIA

A trágica morte do estudante Mardônio Freire enluta sua família, a Faculdade de Direito e toda a UFC. É mais uma vida ceifada, mais uma jovem esperança que se esvai, em meio a escalada de violência que parece não ter fim e que coloca a sociedade inteira como refém do medo. O luto na faculdade sinaliza a dor dos colegas e professores, mas também tem as cores da indignação. Há em todos o sentimento de que não podemos continuar somando perdas desse porte e de que é preciso dar um basta à criminalidade, devolvendo-se às famílias a segurança, que é um dos bens mais preciosos em país civilizado.

Preocupa, especialmente, a forma como se banalizou o ato de matar. Em qualquer rua ou bairro, a qualquer momento, marginais de todas as idades – adolescentes e até crianças – manejam com espantosa naturalidade as ferramentas da morte. E os tiros certeiros vão ampliando insidiosamente estatísticas macabras. É aterrador, nos dias que correm, o número de jovens que têm tombado nessa guerra não declarada que se trava nas cidades brasileiras.

Se as guerras são assunto demasiado sério para ser confiado apenas aos generais, a violência urbana é algo por demais dramático para ser deixado somente em mãos das autoridades policiais. Está claro que o fenômeno sobrepuja a capacidade de aparato meramente repressor. Os componentes sociais do fenômeno, que envolvem questões como as desigualdades sociais, o desemprego, a falta de opções de lazer, a precariedade da moradia, e, sobretudo, o alastramento do consumo de drogas, são fatores que tornam a criminalidade problema complexo, em cuja solução deve envolver-se toda a sociedade.

A Universidade tem procurado fazer sua parte, no terreno de suas atribuições institucionais, e se tornou locus de importantes estudos sobre a violência. Compreendendo mais amplamente o fenômeno, nos habilitamos melhor para a tarefa de enfrentá-lo. A atitude mais desastrosa que qualquer instituição com responsabilidades sociais pode tomar, neste momento, seria resignar-se ao mero papel de espectador, enquanto nossos jovens são trucidados nas esquinas.
 O POVO

Agentes penitenciários paralisam atividades no CE nesta segunda-feira

Agentes penitenciários do Ceará vão realizar paralisações, em dias alternados, em unidades prisionais de todo o estado, a partir desta segunda-feira (24). A informação é do próprio Sindicato dos Agentes e Servidores do Sistema Penitenciário do Estado do Ceará (Sindasp/Ce). A decisão foi tomada após uma assembleia realizada neste sábado pela manhã no Seminário da Prainha, localizado na Rua Tenente Benévolo, n° 201, no Centro.

O primeiro dia está marcado para segunda-feira (24), mas o local será definido apenas no dia do movimento. “As comissões que foram formadas durante a assembleia ficarão responsáveis em mobilizar os servidores de plantão”, disse Valdemiro Barbosa, presidente do Sindasp/Ce.
Os protestos acontecerão até o dia 7 de abril, data limite para a próxima assembleia caso não haja uma negociação. Os agentes penitenciários lutam pelo acautelamento de armas, auxílio alimentação, gratificação de risco para 100% e nomeação do cadastro de reserva.

G1 CE

Subtenente reformado da Marinha é morto em Fortaleza

Suspeitos fugiram sem levar nada da vítima. Ninguém foi preso.
Vítima levou cinco tiros na cabeça.

Um subtenente reformado da Marinha, Cícero Antônio Silva dos Santos, de 53 anos, foi morto   na  noite desta sexta-feira (21), na Rua Equador, no Bairro Montese, em Fortaleza. A vítima morava na Praia de Majorlândia, em Aracati, a 198 Km de Fortaleza e estava na capital há dois dias.

De acordo com a Polícia Militar testemunhas contaram que o subtenente estava parado em frente a loja dele de ração para animais.
A polícia disse que o subtenete  foi puxado para fora do carro por dois homens que chegaram em uma moto e executado com cinco tiros na cabeça. Os homens fugiram sem levar nada da vítima. Ninguém foi preso.

G1 CEARÁ

 

PEC-51: revolução na arquitetura institucional da segurança pública

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) acaba de apresentar a PEC-51, cuja finalidade é transformar a arquitetura institucional da segurança pública, um legado da ditadura que permaneceu intocado nos 25 anos de vigência da Constituição cidadã, impedindo a democratização da área e sua modernização.

As propostas chave da PEC-51 são as seguintes: (1) Desmilitarização: as PMs deixam de existir como tais, porque perdem o caráter militar, dado pelo vínculo orgânico com o Exército (enquanto força reserva) e pelo espelhamento organizacional. (2) Toda instituição policial passa a ordenar-se em carreira única. Hoje, na PM, há duas polícias: oficiais e praças. Na polícia civil, delegados e não-delegados. Como esperar respeito mútuo, compromisso com a equidade e coesão interna desse modo? (3) Toda polícia deve realizar o ciclo completo do trabalho policial (preventivo, ostensivo, investigativo). Sepulta-se, assim, a jabuticaba institucional: a divisão do ciclo do trabalho policial entre militares e civis. Por obstar a eficiência e minar a cooperação, sua permanência é contestada por 70% dos profissionais da segurança em todo o país, conforme pesquisa que realizei com Silvia Ramos e Marcos Rolim, em 2010, com apoio do Ministério da Justiça e do PNUD, na qual ouvimos 64.120 policiais e demais profissionais da segurança pública (cf. “O que pensam os profissionais da segurança no Brasil?” Relatório disponível no site do MJ). (4) A decisão sobre o formato das polícias operando nos estados (e nos municípios) cabe aos Estados. O Brasil é diverso e o federalismo deve ser observado. O Amazonas não requer o mesmo modelo policial adequado a São Paulo, por exemplo. Uma camisa-de-força nacional choca-se com as diferenças entre as regiões. (5) A escolha dos Estados restringe-se ao repertório estabelecido na Constituição –pela PEC–, o qual se define a partir de dois critérios e suas combinações: territorial e criminal, isto é, as polícias se organizarão segundo tipos criminais e/ou circunscrições espaciais. Por exemplo: um estado poderia criar polícias (sempre de ciclo completo) municipais nos maiores municípios, as quais focalizariam os crimes de pequeno potencial ofensivo (previstos na Lei 9.099); uma polícia estadual dedicada a prevenir e investigar a criminalidade correspondente aos demais tipos penais, salvo onde não houvesse polícia municipal; e uma polícia estadual destinada a trabalhar exclusivamente contra o crime organizado. Há muitas outras possibilidades autorizadas pela PEC, evidentemente, porque são vários os formatos que derivam da combinação dos critérios referidos. (6) A depender das decisões estaduais, os municípios poderão, portanto, assumir novas e amplas responsabilidades na segurança pública. A própria municipalização integral poder-se-ia dar, no estado que assim decidisse. O artigo 144 da Constituição, atualmente vigente, é omisso em relação ao Município, suscitando um desenho que contrasta com o que ocorre em todas as outras políticas sociais. Na educação, na saúde e na assistência social, o município tem se tornado agente de grande importância, articulado a sistemas integrados, os quais envolvem as distintas esferas, distribuindo responsabilidades de modo complementar. O artigo 144, hoje, autoriza a criação de guarda municipal, entendendo-a como corpo de vigias dos “próprios municipais”, não como ator da segurança pública. As guardas civis têm se multiplicado no país por iniciativa ad hoc de prefeitos, atendendo à demanda popular, mas sua constitucionalidade é discutível e, sobretudo, não seguem uma política nacional sistêmica e integrada, sob diretrizes claras. O resultado é que acabam se convertendo em pequenas PMs em desvio de função, repetindo vícios da matriz copiada. Perde-se, assim, uma oportunidade histórica de inventar instituições policiais de novo tipo, antecipando o futuro e o gestando, em vez de reproduzir equívocos do passado. (7) As responsabilidades da União são expandidas, em várias áreas, sobretudo na uniformização das categorias que organizam as informações e na educação, assumindo a atribuição de supervisionar e regulamentar a formação policial, respeitando diferenças institucionais, regionais e de especialidades, mas garantindo uma base comum e afinada com as finalidades afirmadas na Constituição. Hoje, a formação policial é uma verdadeira babel de conteúdos, métodos e graus de densidade. O policial contratado pela PM do Rio de Janeiro para atuar nas UPPs é treinado em um mês, como se a tarefa não fosse extraordinariamente complexa e não envolvesse elevada responsabilidade. A tortura e o assassinato de Amarildo, na UPP da Rocinha, não foram fruto da falta de preparo, mas do excesso de preparo para a brutalidade letal e o mais vil desrespeito aos direitos elementares e à dignidade humana. A tradição corporativa, autorizada por fatia da sociedade e pelas autoridades, impõe-se ante a ausência de uma educação minimamente comprometida com a legalidade e os valores republicanos. De que serve punir indivíduos se o padrão de funcionamento rotineiro é reproduzido desde a formação, ou no vácuo produzido por sua ausência? (8) A PEC propõe avanços também no controle externo e na participação da sociedade, o que é decisivo para alterar o padrão de relacionamento das instituições policiais com as populações mais vulneráveis, atualmente marcado pela hostilidade, a qual reproduz desigualdades. Assinale-se que a brutalidade policial letal atingiu, em nosso país, patamares inqualificáveis. Para dar um exemplo, no estado do Rio, entre 2003 e 2012, 9.231 pessoas foram mortas em ações policiais. (9) Os direitos trabalhistas dos profissionais da segurança serão plenamente respeitados durante as mudanças. A intenção é que todos os policiais sejam mais valorizados pelos governos, por suas instituições e pela sociedade. (10) A transição prevista será prudente, metódica, gradual e rigorosamente planejada, assim como transparente, envolvendo a participação da sociedade.
Por que a PEC-51 me parece decisiva? Por que considero indispensável e urgente a desmilitarização e a mudança do modelo policial? As respostas se apoiam na seguinte tese: o crescimento vertiginoso da população penitenciária no Brasil, a partir de 2002 e 2003, seu perfil social e de cor tão marcado, assim como a perversa seleção dos crimes privilegiados pelo foco repressivo, devem-se, prioritariamente, à arquitetura institucional da segurança pública, em especial à forma de organização das polícias, que dividem entre si o ciclo de trabalho, e ao caráter militar da polícia ostensiva. Devem-se também às políticas de segurança adotadas e não seria possível, no modo em que transcorre, se não vigorasse a desastrosa lei de drogas. Observe-se que a arquitetura institucional inscreve-se no campo mais abrangente da justiça criminal, o que, por sua vez, significa que o funcionamento das polícias, estruturadas nos termos ditados pelo modelo constitucionalmente estipulado, produz resultados na dupla interação: com as políticas criminais e com a linha de montagem que conecta polícia civil, Ministério Público, Justiça e sistema penitenciário. Pretendo demonstrar que a falência do sistema investigativo e a inépcia preventiva –entre cujos efeitos incluem-se a explosão de encarceramentos e seu viés racista e classista– são também os principais responsáveis pela insegurança, em suas duas manifestações mais dramáticas, a explosão de homicídios dolosos e da brutalidade policial letal.
Há pressupostos e implicações teóricas em minha hipótese que devem ser explicitados, assim como uma interlocução subjacente com a tese popularizada por Loic Wacquant, em sua influente obra, As Prisões da Miséria (Jorge Zahar Editora). O autor sugere conexões funcionais entre a adoção do receituário neoliberal nos Estados Unidos e o aumento dramático das taxas de encarceramento, sobretudo de pobres e negros. O neoliberalismo, ao promover o crescimento do desemprego, o esvaziamento de políticas sociais e a desmontagem de garantias individuais, exigiria a criminalização da pobreza para aplacar as demandas populares e evitar a eventual tradução política da exclusão em protagonismo crítico ou insurgente. Se o exército de reserva da força de trabalho não é mais necessário, dadas as peculiaridades do sistema econômico globalizado que transfere a exploração do trabalho para países dependentes, ou apresenta riscos de converter-se em fonte de instabilidade política, torna-se conveniente canalizar contingentes numeros dos descartáveis para o sistema penitenciário. Não por acaso, os EUA viriam a produzir a maior população penitenciária do mundo. Certo ou errado para o caso norte-americano, o diagnóstico não se aplica ao Brasil. Entre nós, a epidemia do encarceramento coincide com os governos do PT, que poderiam merecer todo tipo de crítica, menos as de serem neoliberais, promotores de desemprego e do desmonte de políticas e garantias sociais. Pelo contrário, não resta dúvida quanto às virtudes sociais dos mandatos do presidente Lula, durante os quais houve redução das desigualdades e ampliação do emprego e da renda. Contudo, nunca antes na história desse país prendeu-se tanto. Atribuo a expanção do encarceramento à combinação entre as estruturas organizacionais das polícias, a adoção de políticas de segurança que privilegiaram determinados focos seletivos e a vigência, seguida da potencialização discricionária da Lei de drogas. Tudo isso em um contexto de crescimento econômico e dinamismo social que intensifica as cobranças por elevação do rendimento de todas as instituições. Para demonstrar minha tese, impõe-se um percurso argumentativo.
I. Voracidade encarceradora enviesada e os circuitos da violência letal
Entre 1980 a 2010, 1 milhão, 98 mil e 675 brasileiros foram assassinados. O país convive com cerca de 50 mil homicídios dolosos por ano. A maioria das vítimas são jovens pobres, do sexo masculino, sobretudo negros. Desse volume aterrador, apenas 8%, em média, são investigados com sucesso, segundo o Mapa da Violência, do professor Waiselfisz, publicado em 2012. Mas não nos precipitemos a daí deduzir que o Brasil seja o país da impunidade, como o populismo penal conservador e a esquerda punitiva costumam alardear. Pelo contrário, temos a quarta população carcerária do mundo e, provavelmente, a taxa de crescimento mais veloz. Ou seja, além de não evitar as mortes violentas intencionais e de não as investigar, o Estado brasileiro prende muito e mal. As prioridades estão trocadas. A vida não é valorizada e se abusa do encarceramento. A privação de liberdade, este atestado de falência civilizatória, para a qual ainda não dispomos de alternativa hábil, deveria ser o último recurso, exclusivamente para casos violentos, crimes contra a pessoa, quando o agressor representasse riscos reais para a sociedade. Hoje, temos 550 mil presos.
Entre os presos, apenas cerca de 12% cumprem pena por crimes letais. 40% são provisórios. Dois terços dessa população, aproximadamente 367 mil, foram presos sob acusação de tráfico de drogas ou crimes contra o patrimônio. Fica patente que os crimes contra a vida, assim como as armas, não constituem prioridade. Os focos são outros: patrimônio e drogas.
II. Estruturas organizacionais e práticas seletivas
As PMs são definidas como força reserva do Exército e submetidas a um modelo organizacional concebido à sua imagem e semelhança, fortemente verticalizado e rígido. A boa forma de uma organização é aquela que melhor serve ao cumprimento de suas funções. As características organizacionais do Exército atendem à sua missão constitucional, porque tornam possível o “pronto emprego”, qualidade essencial às ações bélicas destinadas à defesa nacional.
A missão das polícias no Estado democrático de direito é inteiramente diferente daquela que cabe ao Exército. O dever das polícias, vale reiterar, é prover segurança aos cidadãos, garantindo o cumprimento da Lei, ou seja, protegendo seus direitos e liberdades contra eventuais transgressões que os violem. O funcionamento usual das instituições policiais com presença uniformizada e ostensiva nas ruas, cujos propósitos são sobretudo preventivos, requer, dada a variedade, a complexidade e o dinamismo dos problemas a superar, os seguintes atributos: descentralização; valorização do trabalho na ponta; flexibilidade no processo decisório nos limites da legalidade, do respeito aos direitos humanos e dos princípios internacionalmente concertados que regem o uso comedido da força; plasticidade adaptativa às especificidades locais; capacidade de interlocução, liderança, mediação e diagnóstico; liberdade para adoção de iniciativas que mobilizem outros segmentos da corporação e intervenções governamentais inter-setoriais. Idealmente, o(a) policial na esquina é um(a) gestor(a) da segurança em escala territorial limitada com amplo acesso à comunicação intra e extra-institucional, de corte horizontal e transversal[1].
A PM é um corpo de servidores públicos pressionado pelo governo, pela mídia, pela sociedade a trabalhar e produzir resultados, os quais deveriam ser entendidos como a provisão da garantia de direitos e a redução da criminalidade, sobretudo violenta, estabilizando e universalizando expectativas positivas relativamente à cooperação. Entretanto, resultados não são compreendidos nesses termos, seja porque interpõe-se a opacidade dos valores da guerra contra o inimigo interno, seja porque a máquina policial apenas avança para onde aponta seu nariz, por assim dizer. Em outras palavras, a máquina, para produzir, respondendo à pressão externa (crescente quando o país cresce e a sociedade intensifica cobranças, levando os governos a exigir mais produtividade de seus aparatos), precisa mover-se, isto é, funcionar, e só o faz segundo as possibilidades oferecidas por seus mecanismos, os quais operam em sintonia com o repertório proporcionado pela tradição corporativa, repassado nas interações cotidianas, nos comandos e no processo de socialização, o qual incorpora e transcende a formação técnica.
A máquina funciona determinando às equipes de subalternos nas ruas, pelos canais hierárquicos do comando, ao longo dos turnos de trabalho, trajetos de patrulhamento, em cujo âmbito realiza-se a vigilância. A operacionalização depende da subserviência do funcionário que atua na ponta, ao qual se exige renúncia à dimensão profissional de seu ofício, à liberdade de pensar, diagnosticar, avaliar, interagir para conhecer, planejar, decidir, mobilizar recursos multissetoriais, antecipando-se aos problemas identificados como prioritários. A inexorável discricionariedade da função policial será exercida nos limites impostos pela abdicação do pensamento e do protagonismo profissional. Será reduzida ao arbítrio, porque descarnada da finalidade superior, que daria sentido à sua ação. O que restará ao policial militar na ponta, na rua? O que caberá ao soldado? Varrer a rua com os olhos e a audição, classificando personagens e biotipos, gestos e linguagens corporais, figurinos e vocabulários, orientado pelo imperativo de funcionar, produzir, o que significa, para a PM, prender. Ad hoc, no varejo do cotidiano, só resta ao soldado procurar o flagrante, flagrar a ocorrência, capturar o suspeito. Os grupos sociais mais vulneráveis serão também, no quadro maior das desigualdades brasileiras e do racismo estrutural, os mais vulneráveis à escolha dos policiais, porque eles projetarão preconceitos no exercício de sua vigilância. Nos territórios vulneráveis, a tendência será atuar como tropa de ocupação e enfrentar inimigos. Assim se explicam as milhares de execuções extra-judiciais sob o título cínico de autos-de-resistência, abençoados pelo MP sem investigação e arquivados com o aval cúmplice da Justiça, ante a omissão da mídia e de parte da sociedade.
Por fim, o flagrante exige um tipo penal: na ausência da antiga vadiagem, está à mão a lei de drogas (e não só). Ou seja, pressionar a PM a funcionar equivale a lhe cobrar resultados, os quais serão interpretados não como redução da violência ou resolução de problemas, mas como efetividade de sua prática, ou seja, como produtividade confundida com prisões, contabilizada em prisões, aquelas mais prováveis pelo método disponível, o flagrante. O personagem, o biotipo, o rótulo,  o figurino, o território, a fala, a vigilância no varejo das ruas, a ação randômica em busca do flagra: não é preciso grandes articulações funcionais entre macro-economia e políticas sociais, a proporcionar sobrevida ao capitalismo. Basta a máquina funcionar. Ela não investiga, porque a fratura do ciclo, prevista no modelo, não permite. Ela está condenada a enxergar o que se vê na deambulação vigilante, em busca dos personagens previsíveis, que confirmem o estereótipo e estejam nas ruas, mostrem-se acessíveis. Ela vai á caça do personagem socialmente vulnerável, que comete determinados tipos de delito, captáveis pelo radar do policiamento ostensivo.
Claro que a política criminal é decisiva, assim como a política de segurança, com suas escolhas de fundo, mas é indiscutível que cumprem papel determinante a militarização e a ruptura do ciclo do trabalho policial. A divisão do ciclo, no contexto da cultura corporativa belicista –herdada da ditadura e do autoritarismo onipresente na história brasileira–, cria uma polícia exclusivamente ostensiva, cuja natureza militar –fortemente centralizada e hierarquizada– inibe o pensamento na ponta, obsta a valorização do policial e de sua autonomia profissional, e mutila a responsabilidade do agente, degradando a discricionariedade hermenêutica em arbitrariedade subjetiva. A aprovação da PEC-51 não resolverá todos os problemas. Longe disso. Entretanto, pelos motivos expostos, constitui condição sine qua non para que eles comecem a ser enfrentados.






Cabral vai pedir a Dilma apoio das Forças Federais para conter ataques

O governador Sérgio Cabral vai solicitar à Presidência da República apoio das Forças Federais para conter os ataques em áreas pacificadas do Rio. Ele anunciou a decisão na madrugada desta sexta-feira (21), depois de se reunir por mais de duas horas com o gabinete de crise, convocado em caráter de urgência após ataques em três áreas de Unidades de Polícia Pacificadora ocorridos na noite desta quinta-feira (20). O mais grave deles ocorreu em Manguinhos, Zona Norte, onde o comandante da UPP local foi baleado e a base da UPP Mandela foi completamente incendiada.

Sérgio Cabral disse que ainda não sabe quais tropas deverão atuar no Rio, nem por quanto tempo. Os detalhes serão discutidos em reunião agendada para as 11h desta sexta-feira no Palácio do Planalto. "A presidenta Dilma me atendeu [por telefone] depois de uma viagem pelo Norte do Brasil esta noite. De imediato ela se colocou à disposição de nos receber na parte da manhã em Brasília."

O governador voltou a enfatizar que o estado não irá recuar diante dos constantes ataques em áreas já pacificadas. Segundo Cabral, a situação "é uma evidência do enfraquecimento do tráfico" e que apoio de Forças Federais é "para continuarmos avançando em nossa política de pacificação". Sem adiantar detalhes da atuação federal, Cabral afirmou que "será uma coisa absolutamente objetiva, pois são forças que já trabalharam juntas aqui para o bem comum da população".

"Vamos passar a vida inteira resolvendo crises"

Terminada a reunião, o Secretário de Segurança Pública José Mariano Beltrame fez severas críticas ao tratamento que se dá à segurança pública no Brasil. Ele qualificou como "arcaico" o sistema penal e prisional do país, falou sobre o problema do crescente uso de crack, da falta de controle das fronteiras, na maioridade penal e do uso de armas de fogo por parte da população civil.  "Se não discutirmos isso tudo de forma ampla, vamos passar a vida inteira resolvendo crises e não efetivamente resolvendo o problema de segurança pública".

Em relação aos ataques às UPPs, Beltrame voltou a enfatizar os problemas da segurança pública que beneficiam os criminosos. "Pessoas atiram contra agentes públicos porque, sem dúvida alguma, o crime vale a pena para elas. As pessoas agem sem o menor temor às leis. Diante dessa crise que se avizinha, que ameaça o Rio de Janeiro, nós viemos aqui e propomos um torniquete a ela. Mas se não sanarmos o problema, não haverá solução", disse.

Quanto a atuação das Forças Federais, Beltrame disse que o governador pediu sigilo e que detalhes só serão anunciados após a reunião com a presidente Dilma. Porém, adiantou que as polícias civil e militar estão de prontidão para garantir a segurança da população.

Sem recuo

Antes da reunião com o gabinete de crise, o governador informou, por meio de nota, que não irá recuar. Segundo ele, este tipo de atentado equivale a “uma tentativa da marginalidade de enfraquecer a política vitoriosa da pacificação, que retomou territórios historicamente ocupados pela bandidagem para o controle do poder público.” Segundo Cabral, o Governo mantém “o firme compromisso assumido com as populações das comunidades e com a população de todo o estado do Rio de Janeiro de não sair, em hipótese alguma, desses locais ocupados e manter a política da pacificação.”

"Alerta total"

O comandante das Unidades de Polícia Pacificadora do Rio, coronel Frederico Caldas, disse em entrevista à GloboNews que a Polícia Militar está em estado de "alerta total" após os ataques a três comunidades com UPPs em pontos distintos da cidade - entre elas duas sedes -  na noite desta quinta-feira (20). "A partir de agora a gente entra em um regime de atenção total, de alerta total", afirmou Caldas.

Em Manguinhos houve o pior ataque. Criminosos atearam fogo que consumiu completamente os contêineres da UPP Mandela. O comandante da UPP, capitão Gabriel Toledo foi baleado e outro policial levou uma pedrada na cabeça. Tiros foram registrados na UPP do Alemão.

"Na região de Manguinhos, na UPP Mandela teve os registros mais graves. O estado de saúde dele [capitão Gabriel Toledo] é muito bom. Ele foi atingido na perna com um tiro de pistola. Eu acabei de visitar o outro policial [atingido] que está com um ferimento na cabeça, alvo de uma pedra", completou o comandante das UPPs.

Caldas disse que o policiamento foi reforçado em todas as bases de UPPs da cidade e que a PM está "com uma mobilização grande para evitar que novas ações aconteçam". "A gente está muito atento para evitar que aconteçam novas ações por parte de marginais. Não há dúvidas que a gente vai retomar. Não há a menor possibilidade de recuo na pacificação", concluiu.

Fonte: G1 Rio

Delegada Eliane Barbosa morre após infarto em Fortaleza

Titular do 5° Distrito Policial teve um enfarto em casa.
Eliane Barbosa chegou a ser socorrida para o hospital, mas não resistiu.

 Delegada Eliane Barbosa (Foto: Diego Moreno/Agência Diário)

A delegada da Polícia Civil do Ceará, Eliane Barbosa, de 58 anos, morreu na madrugada desta sexta-feira (21) em Fortaleza. O velório começará às 11h30 desta sexta-feira (21) na funerária Eternus e não na  funerária Alvorada, como foi informado inicialmente. O enterro será às 16h30 no Cemitério São João Batista.
De acordo com informações do órgão, a delegada sofreu um infarto e caiu no banheiro de casa. Eliane Barbosa chegou a ser socorrida para o hospital, mas não resistiu. Atualmente, a delegada era titutar da 5° Distrito Policial, no Bairro Parangaba. Eliane Barbosa tinha 31 anos de carreira na Polícia Civil.
O corpo de Eliane Barbosa foi levado para a sede da Perícia Forense do Ceará (Pefoce). O velório da delegada será na tarde desta sexta-feira (21). A assessoria da Polícia Civil informou que repassará o local e horário ainda neste manhã.

Fonte: G1 Ce

 

REFLEXÃO: “NOS COMPETE A POLÍCIA OSTENSIVA E A PRESERVAÇÃO DA ORDEM PÚBLICA”... E NADA MAIS.

O artigo 144, § 5º, da Constituição Federal é curto e grosso: “Às policias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública”. Pronto. Já sabemos qual é a função das polícias militares no Brasil. Repetindo: “polícia ostensiva e preservação da ordem pública”.
Mas eis que, com o passar das décadas, a velha PM de guerra foi “acostumada” (sem força de lei mesmo) a exercer outras tarefas que não as duas missões dadas acima.
Repetindo: “polícia ostensiva e a preservação da ordem pública”.
Por exemplo: na manhã desse domingo (16/março), a senhora Cláudia Silva Ferreira, 38 anos, saiu de sua casa para comprar pão numa das centenas de favelas do Rio de Janeiro. No percurso, ela foi alvejada numa troca de tiros entre a PM e traficantes.
Até aí, a Polícia Militar estava cumprindo sua missão claramente expressa pela Constituição Federal – “polícia ostensiva e a preservação da ordem pública” –, pois tentava combater os criminosos daquela comunidade.
O problema é que Cláudia foi baleada e precisava de “alguém” para socorrê-la até o hospital.
A pergunta é: “a quem compete socorrer pessoas baleadas nas ruas do Brasil?” Na falta de socorristas, lá estavam três policiais militares mudando de função abruptamente, deixando colegas de farda em pleno tiroteio, para pegar Cláudia, embarcá-la na viatura e levá-la até o hospital mais próximo.
No caminho, a tragédia: por razões que só a perícia pode explicar, a mulher caiu da mala da viatura, mas ficou pendurada pela roupa e acabou sendo arrastada por um trecho de 250 metros.
Chegou morta ao hospital.

Um motorista que vinha logo atrás da viatura filmou a mulher pendurada no carro da polícia, o caso logo subiu na lista das notícias mais lidas das últimas horas e os policiais – que deixaram seu serviço para fazer o de outros segmentos – foram presos e já condenados por muitos leitores/telespectadores Brasil afora.
“Onipresente”
Muita gente se pergunta “por que a PM erra tanto?” Seguem algumas respostas:
Faltam agentes penitenciários para custodiar presos em hospitais? Chama a PM.
Faltam agentes do Ibama para capturar uma cobra no quintal de casa? Chama a PM.
Não tem Conselho Tutelar na cidade para “conversar” com um menor? Chama a PM.
Não tem equipes de socorristas de plantão na cidade? Chama a Polícia Militar…
E se o preso fugir do hospital? Culpa da PM.
E se a cobra picar a dona de casa? Omissão da PM.
E se o menor for mal tratado pelos policiais? Processo judicial neles!
E se uma mulher baleada cair de um carro não apropriado para socorro?…
Eternamente
Quem é que não sabe qual é o resultado de um confronto entre policiais e traficantes num país como o Brasil, especialmente nas comunidades de risco?
Seria uma grande façanha presumir que quase sempre haverá feridos nesses combates?
Se as incursões policiais nesses ambientes são necessárias (se não fossem, a PM não receberia a ORDEM de ir para lá) e sempre PREVISÍVEIS, por que equipes de socorristas devidamente capacitados para este fim não são direcionadas ao local?
Onde está escrito que a Polícia Militar deve, ao mesmo tempo, realizar a “polícia ostensiva, preservação da ordem pública E socorrer feridos”?
Nada contra a PM dar uma ajuda a quem precisa, quando flagrantemente necessário.
Mas antes de jugarmos os erros “dos outros”, é bom lembrar que muitas vezes eram “os outros” que deveriam estar ali ‘errando’.
RONALDO COELHO
Via ACSMCE

Tarso assina PEC que propõe separar bombeiros da Brigada Militar até 2016

Proposta de Emenda Constitucional foi encaminhada à Assembleia gaúcha. Se for aprovada, corporações serão desvinculadas no prazo de dois anos.

 

 Tarso Gero separação bombeiros Brigada Militar RS (Foto: Caroline Bicocchi/Palácio Piratini)

O governador Tarso Genro assinou na tarde desta terça-feira (18) a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que prevê a separação do Corpo de Bombeiros da Brigada Militar (BM). O Executivo propõe a desvinculação completa das duas corporações em dois anos e meio, até julho de 2014.
A PEC é considerada um passo importante para acabar com uma discussão que já dura cerca de 20 anos no Rio Grande do Sul. A autonomia do Corpo de Bombeiros deve garantir recursos próprios à corporação, mas ainda não há nenhuma estimativa de orçamento.
Depois da assinatura, o texto foi entregue à Assembleia Legislativa pelo chefe da Casa Civil, Carlos Pestana. Representantes dos 12 comandos regionais dos bombeiros acompanharam a entrega, junto com o chefe da Casa Militar, coronel Oscar Moiano, o secretário da Segurança Pública, Airton Michels, e o comandante-geral da Brigada Militar, coronel Fábio Fernandes.
Na Assembleia, a proposta vai tramitar em regime especial. O presidente do Legislativo, deputado Gilmar Sossella, disse que o texto vai ser levado imediatamente para discussão. A expectativa é de os debates dentro da casa dure cerca de dois meses antes da proposta ir à votação.
Segundo o governo, a PEC propõe que o Corpo de Bombeiros mantenha estrutura hierárquica idêntica à da BM (de soldado a coronel), com formação técnica, carreira própria e vertical. Não haverá mais a transferência para o policiamento de rua.
O secretário da Segurança, Airton Michels, disse que a proposta respeita os direitos dos servidores, mas principalmente busca prestar o melhor serviço à população da forma mais enxuta possível. “Queremos a separação, mas de forma paulatina, com avanços e experiências para comprovação do que é o melhor. Vamos separar os bombeiros da Brigada de forma séria, responsável e sólida”, afirmou, segundo a assessoria de imprensa.
Após a sanção do Executivo, serão necessários dois anos para a institucionalização das medidas necessárias à desvinculação, como o estabelecimento de orçamento, recursos, gestão, carreira e quadro funcional. Atualmente, o orçamento dos bombeiros representa 25% do total das verbas destinadas para a Brigada Militar.