O drama das famílias de policiais que perderam a vida na luta contra o crime

A farda marrom muito bem passada está pendurada no cabide. Na prateleira do guarda-roupa, a boina preta, o colete à prova de balas e o cinturão dividem espaço com o coturno já engraxado. Mas nada disso sairá do armário. Nunca mais. Em poucos dias, estará empoeirado em um canto do quarto do soldado André Luiz Lucas Neves. Assassinado com dois tiros (um no peito e outro nas costas) ao tentar impedir um assalto no último dia 16, no bairro Ouro Preto, na região da Pampulha, o policial militar de 27 anos estava de folga, à paisana, quando presenciou o crime e tentou intervir. A dor que agora dilacera o coração de parentes e amigos de Neves é velha conhecida de muitas famílias de PMs, como as do soldado Anderson Vieira Torres, do sargento Silmar Pereira da Silva e dos cabos Paulo Henrique de Oliveira e Gladstone Alexandre Soares Bernardo, outros quatro militares que deram a vida pela profissão e cujas histórias ilustram esta reportagem. De acordo com o Comando-Geral da Polícia Militar, 33 homens foram executados nos últimos cinco anos enquanto estavam em serviço - só neste ano foram quatro. Os números são ainda maiores nos registros da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais (As­­pra-MG), que considera não apenas as baixas durante o expediente, mas também as dos que morreram tentando combater a criminalidade em momentos de folga, como o soldado Neves. Foram mais de 300 mortes registradas no estado nos últimos onze anos, pelo menos duas a cada mês.

A violência contra os policiais é, há tempos, motivo de indignação dentro da corporação, um sentimento que explodiu após o episódio no bairro Ouro Preto. Depois do enterro do soldado, cerca de 1 200 militares foram às ruas para protestar, no último domingo (18), cobrando, principalmente, uma pena maior para crimes cometidos contra agentes públicos de segurança e a criação de um programa de proteção para PMs ameaçados. “A morte não tem de ser um risco inerente ao nosso trabalho”, diz o deputado federal Luiz Gonzaga (PDT-MG), que é subtenente e coordenador da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Aspra-MG. Ele critica a atuação do Estado nos casos de assassinato de militares que, estando à paisana, agem contra bandidos. “Essas reações fazem parte do instinto policial, não é preciso estar fardado e escalado para o trabalho para entrar em ação”, afirma Gonzaga. “Somos PMs 24 horas por dia, e não atuar em um caso de perigo iminente é uma negligência. O policial pode até ser responsabilizado por deixar de agir.”

 Gustavo Andrade/Odin

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FONTE VEJA BH

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